Edgard Cavalheiro

Edgard Cavalheiro, pinhalense, foi escritor, crítico, jornalista e grande biógrafo, em 2011, completar-ser-ão 100 anos de seu nascimento na cidade de E.S.PINHAL - S.Paulo, e 52 anos de seu falecimento na Capital, na tarde de 30 de junho de 1958, onde seu corpo foi velado na Biblioteca Municipal de S.Paulo, e todos os jornais dele largamente se ocuparam ressaltando o grande escritor, biógrafo, editor e jornalista que foi.

Edgar Cavalheiro nasceu no dia 06 de Julho de 1911, na Fazenda S.Pedro, em Espírito Santo do Pinhal, estado de São Paulo. Seus pais eram de origem italiana, o avô paterno foi carpinteiro, e o materno mestre de banda de música (viera da Itália para formar banda em fazendas e cidades do interior). O seu pai dedicava-se a lida do comércio, dono de amplo armazém de secos e molhados em Nova Louzã.

Cedo, Edgard mostraria a sua inaptidão para o ramo, e o gosto pela literatura, desenvolvimento da herança materna, pois sua mãe era uma apaixonada por romances, lendo tudo o que encontrava, inclusive folhetins e jornais.

Edgard estudou no Grupo Dr.Almeida Vergueiro, em E.S.Pinhal, onde recorda em uma de suas entrevistas para um jornal da capital, do saudoso professor Azevedo Marques, que certa vez reuniu todas as aulas do Grupo a ler, entusiasmado, uma composição que Edgard fizera.

De Pinhal para Campinas, Edgard estuda a noite e trabalha de dia na firma Romeiro Pinto & Cia.

Reunindo-se a outros rapazes, amantes da literatura, fundaram um jornalzinho mimiografado o XI de Agosto, onde publicou o primeiro poema.

Em 1930, retorna a Pinhal, onde escreveu e leu muito, tendo devorado dois livros por dia, período em que conheceu praticamente toda a literatura brasileira.

Certo dia mandou para a “Folha de Pinhal”, um soneto em que saudava a presença em E.S.Pinhal, cidade de Dom Sebastião Leme (que voltava a sua terra depois de longo tempo), o soneto foi publicado na primeira página do jornal e o seu diretor, Laurindo Marques Junior, mandou-lhe um convite para que continuasse a ser o seu colaborador.

Saindo de Pinhal, a família foi morar em Bebedouro, onde Edgard foi trabalhar no Banco do Estado de S.Paulo.

Numa Biblioteca da Faculdade de Direito, Edgard inspira-se no grande Fagundes Varela e, em 1940, publica o livro que lhe daria projeção nacional, onde, de setembro a dezembro daquele ano, esgotara a primeira edição de 2.000 volumes, sendo em janeiro do próximo ano, lançada a sua Segunda edição.

Passou a trabalhar no Jornal o Estado de S.Paulo, época em que publicou “Biografias e Biógrafos em 1942, e “Testamento de uma Geração” em 1944. Em 1946 publica uma importante obra sobre Garcia Lorca.

Torna-se editor e publica “Obras primas do Conto Universal, Obras primas do Conto Brasileiro, Obras Primas do conto moderno, e antologia dos grandes contos humorísticos, e Obras primas da Lírica Brasileira. Faz traduções e passa a assinar uma seção na “Folha da Manhã ”, e fundou a revista Roteiro, e assina também seção no jornal de S.Paulo e em “Cultura”, e dá o seu depoimento de escritor em “Plataforma da Nova Geração”, publicada pela Editora Globo.

Em 1954, publica Edgard, pela Melhoramentos: “Fagundes Varela, cantor da Natureza”, e “Alvares de Azevedo”, biografias para a juventude, no ano seguinte, pelo ministério da Educação e Cultura, publica “Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto”.

Finalmente em 1955, publica “Monteiro Lobato – Vida e Obra”, trabalho de grande fôlego composto de 02 volumes com cerca de 900 páginas.

Publicou ainda 67 obras e existem 16 referências biográficas sobre Edgar Cavalheiro, a sua última obra seria sobre o grande artista “O Aleijadinho”., que não chegou a concluir, dado ao seu falecimento.

Edgard também foi presidente e um dos fundadores da Câmara Brasileira do Livro, sendo que as primeiras reuniões foram feitas em seu apartamento enquanto não havia sua sede. Também foi o criador do prêmio Jabuti, que é o maior prêmio de reconhecimento intelectual do Brasil.

É interessante salientar que Edgard Cavalheiro foi o autor do pedido de tombamento do Sítio de Lobato, tendo levado pessoalmente o governador do Estado no sítio mostrando o estado de abandono em que se encontrava, e naquela época, já fazia um programa no Rádio, chamado “No Sítio do Pica Pau Amarelo”, onde narrava todas as histórias de Monteiro Lobato, e somente depois que a Rede Globo de Televisão produziu por muito tempo “O Sítio do Pica Pau Amarelo”, semente plantada por esse grande pinhalense e homem de visão que foi Edgard Cavalheiro.

A Casa do Escritor, em 28/06/10 completou 10 anos de trabalhos e 400 reuniões, e possui vasto documentário de suas atividades ao longo de sua existência.

E para este ano trabalha em mais projetos visando sempre à criança e o jovem para que tenhamos no futuro uma cidade cada vez melhor, com governantes sensíveis e que abracem esta causa, e que possa concretizar o sonho: “de nossa cidade ter realmente um ícone expressivo ligado a Literatura Brasileira”, viabilizando o Memorial Edgard Cavalheiro, em imóvel próprio, e que seja reconhecido e visitado pelos grandes escritores e alunos de nosso país, como fonte de pesquisa e consulta, num projeto sério e que coloque nossa cidade em destaque nacional. Rendemos nossas homenagens aos membros da Casa do Escritor já falecidos: Osvaldo Roberto (Belo), autor do hino de E.S.Pinhal, Neyde Ragazoni, Aristides Costa Filho, (Tide), e Gerbo Carreteiro, que em muito contribuíram para a Casa do Escritor e literatura de E.S.Pinhal.

João Batista Rozon – Presidente

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